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domingo, 9 de fevereiro de 2014

"Tráfico, Sexo e Imigração" Crónicas Figueira na Hora, 27.01.2014

"Tráfico, Sexo e Imigração" in Crónicas Figueira na Hora, 27.01.2014

Tráfico, Sexo e Imigração

Estive nos últimos quatro anos a estudar a questão do tráfico humano, trabalho sexual e imigração. É esse o tema que proponho para esta crónica. Perdoe-me o leitor a seriedade do assunto. O fenómeno do tráfico é um fenómeno transnacional, que tem que ver com as relações entre diferentes regiões económicas do mundo: as condições que possibilitam o TSH estão relacionadas com as disparidades económicas que caracterizam a geografia atual.

Até 2007, o conceito legal de tráfico de seres humanos em Portugal restringia-se ao tráfico de mulheres para exploração sexual. Com a revisão do Código Penal português, no final desse ano, o conceito alargou para, de acordo com o Protocolo de Palermo (2000) da ONU, integrar o tráfico de mulheres, homens e crianças, para fins de exploração sexual e laboral e tráfico de órgãos.

A ligação entre TSH e prostituição mantém-se no nosso imaginário, apesar do conceito ser muito mais que isso. As posições face a essa ligação diferem entre os que consideram que em nome do combate ao tráfico, o que na realidade se está a combater é a livre circulação de pessoas e a atividade voluntária na indústria do sexo, e os que consideram que todos os migrantes e todas as trabalhadoras do sexo (fundamentalmente estrangeiras) são vítimas do poder patriarcal, da globalização e da total ausência da capacidade de “agência” – por outras palavras, «não existem prostitutas felizes», pois o corpo não lhes pertence e está absolutamente sujeito à vontade do proxeneta e do desejo do cliente.

O problema do tráfico de seres humanos é quer uma causa quer uma consequência da violação de direitos humanos: é uma causa porque viola direitos fundamentais tais como o direito à vida, à dignidade e à segurança, às condições de trabalho condignas, à saúde. Mas é também uma consequência enraizada na pobreza, na desigualdade e na discriminação.
Tal como somos informados diariamente, o TSH é um dos maiores crimes transnacionais dos nossos tempos, com milhões de pessoas traficadas, e biliões de dólares de lucro.

Mas se as políticas dos Estados visam realmente enfrentar o problema do tráfico, então têm de ir além da criminalização. A injustiça é também produzida através de instituições, estruturas sociais, sistemas de poder e classificações morais. Só através da integração das populações vulneráveis no seio das quais se encontram as potenciais vítimas de tráfico (trabalhadores do sexo e imigrantes ilegais) é possível combater o TSH. A cidadania é a chave para um mundo melhor.

Filipa Alvim

Link:


sexta-feira, 29 de julho de 2011

Em caso de dúvida: Falar!

"Acolhemos até à data seis menores. Esta ideia de que são muito jovens de facto, sobretudo quando estamos a falar da exploração sexual, é uma realidade" - diz fonte de ONG que acolhe vítimas de tráfico humano.

Lá que se veja o comércio do sexo como isso mesmo - um serviço, um comércio - não significa que não me passe com a confirmação de que há clientes que vão com menores, que não sintam o quanto a pedofilia é crime, e que em caso de suspeita não tentem conversar com elas ou ligar directamente para o 112.

Porque, sinceramente, é isso que se faz: e se não se quer ligar para a polícia [mesmo podendo fazer queixa anónima], então liga-se para a Equipa Multidiscplinar contra o tráfico de seres humanos: 964 608 288. Ou para a Linha S.O.S Imigrante: 808 257 257.

Porque em caso de dúvida, se não se quer denunciar, é imprescíndivel pelo menos Falar!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Mitos urbanos



Em Portugal,
- Mitos urbanos?
- Completamente! Quer dizer, qualquer transplante de um órgão implica necessariamente uma série de circunstâncias médicas para que o órgão de facto possa ver aproveitado. Portanto, aquilo de cortar a meio, tirar, está a andar, acordou com as cicatrizes, quer dizer…Isso de facto é um bocadinho romance imbecil. Mas pronto. Que traz de facto aqueles mitos urbanos, que eu não sei bem o que é que os provoca...Se é medo, se é vontade de drama, não sei o que é que provoca...

sábado, 24 de abril de 2010

Caso de Tráfico de Pessoas?

Esta mensagem destina-se a tod@s, e particularmente a quem anda no terreno.

Quando detectarem casos que suspeitem ser de tráfico de pessoas, mas houver perigo iminente para vós, liguem para o 112.

Se não houver perigo iminente, e vos parecer um caso de tráfico liguem para:

1) A equipa multidisciplinar do Observatório do Tráfico de Pessoas: 964 608 288

2) A Linha SOS Imigrante: 808 257 257

Não deixem de qualquer forma de ligar para o 112, para apresentar queixa ou fazer a denúncia (mesmo que anónima).

Para mais informações ou esclarecimento de dúvidas, espreitem o site do Observatório do Tráfico de Seres Humanos:

http://www.otsh.mai.gov.pt/?area=007&mid=000&PHPSESSID=7fbfe6a966a636a6207dded78237abe8

Não se esqueçam que calar é consentir. Fechar os olhos e considerar que "não nos devemos meter" é ser cumplice. E em caso de dúvida, é preferivel denunciar! É que pensem lá: e se um dia for convosco ou com um dos vossos?

rapaz português ia ser vendido por 4 mil euros

No JN Online surge hoje a noticia de quem um rapaz de 15 anos, de Vizela, ia ser vendido por 4 mil euros para trabalho escravo. A PJ e a Polícia Nacional de Espanha resgataram o jovem em Ourense, na Galiza. A investigação terminou com 6 detidos.

"Ao que o JN apurou, o rapaz marcou encontro em Braga com alguém que conheceu na net, mas algo correu mal. De Braga, João foi para o Porto. Vagueava pela estação da CP de S. Bento quando foi apanhado pela rede. Este tipo de locais são os preferidos pelos "recrutadores". João, aparentemente alheado, desorientado e confundido pelo movimento de pessoas, sobressaiu de imediato aos seus olhos treinados para reconhecerem potenciais vítimas.

João, oriundo de um meio familiar desestruturado não teve que pensar muito tempo para resolver acompanhar o grupo até Espanha, atraído por falinhas mansas e promessas de solidariedade, de trabalho e de uma vida melhor. A partir daqui já não havia saída.

Segundo a PJ, o rapaz foi agredido e obrigado a viver numa cave cheia de lixo, juntamente com animais, e ali ficaria até que surgisse alguém disposto a pagar os cerca de quatro mil euros que eram pedidos pela sua força de trabalho. Em Madrid, até já existiria um eventual interessado. Todo o esquema foi desmontado graças a uma chamada telefónica que o rapaz conseguiu fazer para a mãe (que já tinha comunicado à GNR o seu desaparecimento). PJ e a Polícia espanhola localizaram a chamada e libertaram o rapaz.

Um homem português e uma mulher espanhola, casados, e um terceiro indivíduo foram presos. Outro homem, também português, foi detido em Madrid, mas foi posto em liberdade. Mais dois homens foram presos em Ourense, anteontem, e também libertados. As autoridades julgam ter neutralizado a rede, mas não têm dúvidas de que haverá mais a operar nos dois países" (in http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1552092).

Parece-me que o jovem e a polícia estão de parabéns. Nem sempre é assim. Apesar da imensa visibilidade da questão do tráfico, o que é facto é que no concreto existem situações que não são "preto no branco" e podem ser entendidas de outras formas.

Do que é que estou a falar? De um caso que me contaram, uma mulher estrangeira (de um país terceiro), trabalhadora do sexo, que se encontrava em situação de tráfico aqui em Portugal. Esta mulher conheceu um grupo de acção que a quis ajudar. Contactaram a polícia. No final, a mulher acaba por ser deportada por estar em situação ilegal. Acabou por dizer, em forma de despedida "às suas salvadoras" que "a pior coisa que me aconteceu foi ter-vos conhecido e ter-vos contado a minha história". Esta é apenas uma de várias histórias que acabam assim.

Talvez a sorte do rapaz de Vizela tenha sido o facto de ser português. Se fosse imigrante, ainda por cima em situação irregular, poderia ter sido simplesmente deportado...

domingo, 13 de setembro de 2009

E-Queixas

Agora é possível fazer uma e-queixa num dos sites das nossas forças de segurança. Mas não pode ser anónima. É curioso. Porque as gamas de queixas possiveis são várias. Imaginando que tinha uma queixa de tráfico de pessoas teria dar os meus dados pessoais - se os traficantes são mesmo aqueles tipos maus e criminosos obscuros porque é que eu haveria de querer dar os meus dados? Acontece que eu sou portuguesa, nascida e criada. E se uma pessoa estiver ilegal e quiser apresentar uma queixa por, imaginemos, tráfico de seres humanos? Não pode. Tem de apresentar os documentos.
A queixa por qualquer destes crimes pode, por lei, ser anónima. Um familiar, um amigo, um colega, um vizinho, um conhecido que tenha conhecimento de uma situação de crime pode e deve fazer uma queixa. Mas para tal, tem de fazer um telefonema, não pode recorrer a este serviço das e-queixas. É, pelo menos, curioso. É uma excelente forma de não incentivar as queixas, parece-me.
Para os casos de violência doméstica liga-se para o número de emergência social, o 144. As senhoras são simpáticas, mas estes telefonemas servem apenas para nos dar informação sobre as várias organizações que lidam com a violêcia doméstica (a APAV e a CIG) e as entidades de segurança (a PSP) do distrito de residência.
Em caso de flagrante delito, é ligar para a PSP (e rezar para que cheguem depressa). Só assim é que a queixa - que pode ser anónima, tal como o contacto com o 144 - fica registada. O contacto com a Linha de Emergencia Social serve apenas para sinalização. Isto é, se fizer hoje um telefonema para eles, eles registam e publicam os seus dados estatísticos nos relatórios de segurança do ano que vem, que por sua vez são utilizados pelos relatórios das ONGS. O telefonema para o 144 não serve como queixa. Os técnicos do 144 não entram logo em contacto com a PSP ou qualquer outra força policial para investigar o caso.
Mas o pior é que se eu tivesse uma queixa para fazer de violência doméstica e abuso de menores, dar-me-iam os contactos da Comissão de menores e das ONGS que têm casas abrigo: a mulher vítima tem de sair de casa, "para sua segurança", recambiada para um abrigo. O agressor fica confortavelmente em casa. E a criança é, por sua vez retirada à mãe, para estudo de caso.
Há qualquer coisa que não bate certo...