segunda-feira, 5 de maio de 2014

Flash Mob do 1º de Maio pelos Direitos d@s Trabalhad@res do Sexo in Figueira na Hora

A opinião com FILIPA ALVIM - Flash Mob do 1º de Maio pelos Direitos d@s Trabalhad@res do Sexo


Na madrugada de 30 de Abril para 1 de Maio decorreu o Flash Mob pelos Direitos d@s trabalhador@s do sexo[1]. Pelas 00:15 horas, um pequeno grupo no Porto, cheio de determinação, abriu os seus chapéus-de-chuva vermelhos – símbolo internacional da luta pelos direitos destas pessoas sem nome, geralmente apelidadas apenas de prostitutas ou putas (como se não houvessem nem homens nem transexuais neste mundo. E quantos há!).

A iniciativa partiu da Rede sobre o Trabalho Sexual[2], que congrega a maioria das ONGs de terreno, simpatizantes, académicos e trabalhador@s do sexo. No Porto correu bem. Em Lisboa foi um fiasco. Os poucos que foram sentiram-se sós e não houve flash mob, como estava combinado. O Porto, lá nisso, é muito mais activo. Claro que Portugal não conta com um STRASS[3], por exemplo, um sindicato de trabalhador@s do sexo sediado em Paris que junta manifestações de 100 ou mais pessoas. As prostitutas sentem demasiado estigma para darem a cara. Há sempre umas com mais coragem que lideram o movimento internacional, mas no panorama geral, o movimento d@s trabalhador@s do sexo é ainda tímido.

E afinal o que se pretende com este tipo de iniciativas? Demonstrar uma verdade empírica que magoa a susceptibilidade de muita gente: há quem faça do trabalho sexual o seu trabalho. Como tal, e porque se sentem trabalhador@s, querem os mesmo direitos e deveres que @s restantes trabalhador@s: enquadramento legal e laboral, inserção na segurança social, direito a uma reforma quando chega a idade, direito a uma vida com dignidade. Querem também contribuir para o país, que se desfaz com impostos cada vez mais pesados. Querem ajudar quem precisa, nomeadamente as vítimas de exploração sexual (@s tais traficad@s e explorad@s). Querem justiça, paz, pão, saúde, educação, habitação, segurança. Querem viver sem medo. Afinal, não é o que tod@s nós queremos? 



[3] Ver site em: www.strass-s

5 de Maio de 2014

Filipa Alvim

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quinta-feira, 1 de maio de 2014

Flash Mob do 1º de Maio pelos Direitos d@s Trabalhad@res do Sexo

O Flash Mob do 1º de Maio pelos Direitos d@s Trabalhad@res do Sexo no Porto foi notícia ao longo do dia em vários media nacionais (via Rede sobre o Trabalho Sexual):

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=734434&tm=8&layout=122&visual=61


Rede sobre o Trabalho Sexual em:


https://www.facebook.com/pages/Rede-sobre-Trabalho-Sexual/104752259637059?fref=ts





terça-feira, 11 de março de 2014

"Criminalizar a prostituição não protege a prostituta" in Figueira na Hora, 10.03.2014

Faço parte de um movimento, a Rede sobre o Trabalho Sexual (RTS) portuguesa que faz, por sua vez, parte de um movimento mundial pelos direitos das pessoas trabalhadoras do sexo.

É por isso que sei que o Parlamento Europeu deliberou na semana passada sobre a actividade prostitutiva. Foi aprovado no Parlamento Europeu (com 343 votos a favor, 139 contra e 105 abstenções) um relatório da Comissão para os Direitos das Mulheres e Igualdade dos Géneros que recomenda a criminalização dos clientes que recorram aos serviços prostitucionais de pessoas adultas menores de 21 anos. A recomendação não é vinculativa, sendo cada Estado-Membro livre de acatar, ou não, a recomendação.

Como membro da RTS, considero (depois de ouvir anos seguidos pessoas trabalhadoras do sexo [ou seja, @s própri@s], activistas, académicos e técnicos sociais) que a criminalização de clientes de trabalho sexual viola as recomendações da Organização Mundial de Saúde, elaboradas em colaboração com o UNFPA, a ONUSIDA (UNAIDS), e a Global Network of Sex Workers Projects (NSWP). O relatório que fundamentou esta proposta confunde, como sempre nestas instâncias, trabalho sexual (situação em que há consentimento informado), com abuso sexual e tráfico de pessoas. SÃO COISAS DIFERENTES, MINHA GENTE!

O relatório foi denunciado - entre cerca de 550 outras entidades - pela Rede Europeia da IPPF  (organização que trabalha em prol dos Direitos e Saúde Sexual e Reprodutiva, que a APF integra), pela La Strada International  (uma federação de organizações de apoio a vítimas de tráfico de seres humanos, área em que a APF também trabalha), pelo European AIDS Treatment Group, pelo ICRSE, pela Tampep International Foundation, e pela Rede sobre Trabalho Sexual. Mereceu ainda o repúdio de 86 académic@s, entre quais, evidentemente, eu me incluo.

Criminalizar o cliente pode afugenta-lo, mas não vai nem proteger prostitutas, nem eliminar a prostituição. Há vários crimes de que as prostitutas são vítimas, alguns praticados pelos clientes. Mas roubo, violação, exploração sexual e tráfico de pessoas estão já consagrados na lei. E ao contrário do que se pensa, há muitos clientes, chamados de habituais, que são mais que clientes, são amigos. Muitas vezes as denúncias de maus-tratos partem deste tipo de cliente. Por exemplo, conheço prostitutas que foram salvas de violação por parte de clientes. Criminalizar não é a solução. Regulamentar é que é a solução. 

10.03.2014
Filipa Alvim

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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

"A Osga: Chic por fora, Podre por dentro" Crónicas Figueira na Hora

Já imaginaram nascer no corpo errado? Não imagino pior pesadelo. Viver fora da normatividade é um pesadelo, alvo fácil de mentecaptas.

Desta vez é mesmo a Figueira da Foz que me serve de inspiração para a presente crónica. Vi na Figueira.TV um programa que (como é que eu hei-de dizer sem ser ofensiva?) me provocou vómitos agudos e instintos homicidas.
Trata-se da Figueira Chic: Convidada Ema Sofia (1). A Ema é uma transsexual de enorme coragem que dá a cara e aceita ser entrevistada no dito programa, explicando a sua experiência. Diz a Ema que acha que “o mundo não é feito de homens e de mulheres, mas sim de pessoas”. Subscrevo a 1000%.

Acontece que uma das três entrevistadoras é anti-humana, assim estilo Hugo Soares, personagem-tipo à la Gil Vicente, bonita por fora e podre por dentro, uma tal de Olga (para mim uma Jane Doe total até à data e não sou mais feliz depois de a ter ouvido). Decide – imagine-se! – atacar a entrevistada e até as restantes entrevistadoras com frases como: “Tenho uma visão muito pessoal sobre a opção” de ser homossexual; “A natureza humana é um homem e uma mulher”; “Todos os desvios dessa natureza são uma opção”; “A homossexualidade, a pedofilia são opções”; “A natureza é só uma: um macho nasce macho, uma fêmea nasce fêmea”; “Vou tentar ajudá-lo a encontrar o caminho certo” (a um imaginário filho homossexual, espero eu, que nem tod@s devem procriar); “A tua opção [de se tornar transsexual] foi Egoísmo”.

É-lhe extraordinária a podridão reaccionária, a estupidez ofensiva, camuflada de esperteza e maquilhagem. Como é que dão tempo de antena a uma personagem da idade média? É por causa da carinha laroca?! Sinto-me profundamente ofendida com o nojo que lhe saiu da boca.

Termino com os meus sinceros parabéns à Ema e às outras duas entrevistadoras, verdadeiramente humanas, inteligentes e claramente pessoas do séc. XXI.


Link: 

https://www.facebook.com/notes/figueira-na-hora/a-opini%C3%A3o-com-filipa-alvim-a-osga-chic-por-fora-podre-por-dentro/402796049864790

e

http://outramargem-visor.blogspot.pt/2014/02/miseria-chic-ii.html







sábado, 22 de fevereiro de 2014

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

"Vender Direitos Humanos" Crónicas Figueira na Hora, 10.02.2014

Os Direitos Humanos são hoje uma pedra basilar da civilização. A cultura humana, com alguns milhares de anos, assim evoluiu.
São Universais? Não. Consta até, segundo fonte bestial (em entendido, de Besta mesmo), que direitos fundamentais são afinal referendáveis. A humanidade tem destas coisas: brilhantismo misturado com estupidez crónica. Eis a nossa história numa frase.
A discrepância entre territórios, cidades e aldeias, litoral e interior, sul e norte, é brutal. Não somos todos iguais. Estamos muito longe de o sermos.
Os Direitos Humanos fomentam-se e concretizam-se no terreno, no trabalho de campo, no contacto face to face, na conversação personalizada, na relação com o próximo. Objetivo: angariação de heróis e heroínas aqui, que ajudem o próximo, que muitas vezes está longe.

Com plena simpatia por esta ideia, e em situação de desemprego, a Maria (nome fictício) animou-se com um anúncio de emprego que pedia Relações Públicas (RP) para campanhas de solidariedade em nome de uma das maiores organizações mundiais e de trabalho reconhecido. A empresa subcontratada pela ONG internacional pedia dinamismo e vontade de ajudar o próximo, através do contacto com o próximo. A Maria lá foi à entrevista e “dia de experiência” toda entusiasmada.

Afinal, era trabalho porta-a-porta. O discurso começava com a apresentação do projeto: ajudar as crianças da Síria. São 5 milhões de crianças em risco de morte já. Uma causa que deve ser acarinhada. “Não se assuste, não é um peditório”. Mas afinal é. É que cada RP trabalha a 100% à comissão, com horário laboral das 10:30h-20:30h de 2ª-feira a 6ª-feira e das 10:30-18:30h aos sábados. Estes RPs são dinâmicos, vestem mesmo a camisola, não lhes retiro qualquer valor. Mas o país está em crise. Como é possível querer vender Direitos Humanos, puxando à lágrima de quem abre a porta para nos ouvir ao menos, quando se sabe que está desempregada e pouco resta para pôr comida na mesa? Ajudar, todos queremos. Mas a maioria não tem hipótese.

Vender Direitos Humanos a quem não pode comprar pão é contraproducente. “Empregar, a 100% à comissão” estes trabalhadores dos direitos humanos revela escravatura, a palavra-chave para compreender os nossos dias.

Filipa Alvim

Link:

https://www.facebook.com/notes/figueira-na-hora/a-opini%C3%A3o-com-filipa-alvim-vender-direitos-humanos/395202730624122

domingo, 9 de fevereiro de 2014

"Tráfico, Sexo e Imigração" Crónicas Figueira na Hora, 27.01.2014

"Tráfico, Sexo e Imigração" in Crónicas Figueira na Hora, 27.01.2014

Tráfico, Sexo e Imigração

Estive nos últimos quatro anos a estudar a questão do tráfico humano, trabalho sexual e imigração. É esse o tema que proponho para esta crónica. Perdoe-me o leitor a seriedade do assunto. O fenómeno do tráfico é um fenómeno transnacional, que tem que ver com as relações entre diferentes regiões económicas do mundo: as condições que possibilitam o TSH estão relacionadas com as disparidades económicas que caracterizam a geografia atual.

Até 2007, o conceito legal de tráfico de seres humanos em Portugal restringia-se ao tráfico de mulheres para exploração sexual. Com a revisão do Código Penal português, no final desse ano, o conceito alargou para, de acordo com o Protocolo de Palermo (2000) da ONU, integrar o tráfico de mulheres, homens e crianças, para fins de exploração sexual e laboral e tráfico de órgãos.

A ligação entre TSH e prostituição mantém-se no nosso imaginário, apesar do conceito ser muito mais que isso. As posições face a essa ligação diferem entre os que consideram que em nome do combate ao tráfico, o que na realidade se está a combater é a livre circulação de pessoas e a atividade voluntária na indústria do sexo, e os que consideram que todos os migrantes e todas as trabalhadoras do sexo (fundamentalmente estrangeiras) são vítimas do poder patriarcal, da globalização e da total ausência da capacidade de “agência” – por outras palavras, «não existem prostitutas felizes», pois o corpo não lhes pertence e está absolutamente sujeito à vontade do proxeneta e do desejo do cliente.

O problema do tráfico de seres humanos é quer uma causa quer uma consequência da violação de direitos humanos: é uma causa porque viola direitos fundamentais tais como o direito à vida, à dignidade e à segurança, às condições de trabalho condignas, à saúde. Mas é também uma consequência enraizada na pobreza, na desigualdade e na discriminação.
Tal como somos informados diariamente, o TSH é um dos maiores crimes transnacionais dos nossos tempos, com milhões de pessoas traficadas, e biliões de dólares de lucro.

Mas se as políticas dos Estados visam realmente enfrentar o problema do tráfico, então têm de ir além da criminalização. A injustiça é também produzida através de instituições, estruturas sociais, sistemas de poder e classificações morais. Só através da integração das populações vulneráveis no seio das quais se encontram as potenciais vítimas de tráfico (trabalhadores do sexo e imigrantes ilegais) é possível combater o TSH. A cidadania é a chave para um mundo melhor.

Filipa Alvim

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Campanha "Continuamos à espera...pelos Direitos Humanos, participa na construção da Agenda de Desenvolvimento Pós-2015".

A P&D Factor começa o ano de 2014 com a Campanha "Continuamos à espera...pelos Direitos Humanos, participa na construção da Agenda de Desenvolvimento Pós-2015". 

Continuamos à Espera  resulta do trabalho da P&D Factor com  mais 3 organizações da sociedade civil portuguesa: CCC - Associação Corações com Coroa, AJPAS-Associação de Intervenção Comunitária, Desenvolvimento Social e Saúde e Oikos - Cooperação e Desenvolvimento.

Continuamos à Espera é uma campanha de Educação para o Desenvolvimento e para a Cidadania Global, centrada nas temáticas da Saúde Sexual e Reprodutiva, Justiça Social, Igualdade de Género e Oportunidades e baseada nos Direitos Humanos. Uma campanha que parte de uma chamada de atenção para as situações de prrfunda discriminação e desigualdade que continuam a existir em qualquer parte do mundo e face às quais não podemos ficar indiferentes nem a aguardar que o decurso dos tempos e a mudança de mentalidades resolvam os problemas.

Continuamos à Espera pretende INFORMAR, INSPIRAR, MOBILIZAR e AGIR em torno da Agenda de Desenvolvimento Pós-2015 com vista à promoção e defesa de um ambiente social e político favorável ao exercício dos direitos humanos em igualdade de todas as pessoas, sobretudo as mais invisíveis e que mais facilmente estão em situação evitável de vulnerabilidade, pobreza, doença e exclusão: as raparigas e as mulheres.

Continuamos à Espera parte da constatação do que foi ou não alcançado com os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio ( ODM, 2000) e das razões que o determinaram,  da agenda inacabada do Plano Acção do Cairo (CIPD, 1994) e do que está por cumprir na Plataforma de Acção de Beijing (1995) bem como dos acordos posteriores. Com o impulso que os ODM geraram, as agências das Nações Unidas desenvolvem, neste momento trabalho, e conversações em parceria com governos, sociedade civil, tendo em vista a criação e elaboração de uma nova Agenda de Desenvolvimento pós-2015.

Mas em 2014 há importantes balanços a fazer e decisões a tomar! 

·     Continuamos à espera de ver as pessoas no centro das políticas e agendas de desenvolvimento e assegurar que todas as pessoas, sobretudo as mulheres , jovens e as adolescentes, tenham acesso à informação, aos serviços e à protecção que de precisam para ter uma vida segura, saudável e gratificante.

Continuamos à Espera apela a um papel mais interveniente e activo na construção da Agenda de Desenvolvimento, que atenda aos Direitos Humanos e às desigualdades mais gritantes e que são esquecidas:
  •   A saúde sexual e reprodutiva (saúde materno-infantil, planeamento familiar, saúde de adolescentes, prevenção do VIH e Sida, parto e maternidade segura);
  •   A educação das raparigas (que promova o conhecimento, a manutenção no sistema de ensino e formação, que previna os casamentos precoces e forçados, a gravidez adolescente, a mutilação genital feminina, a violência e a discriminação);
  •   A igualdade de género e de oportunidades (que assegure a participação e reconhecimento dos contributos políticos, sociais e económicos das mulheres e jovens); e
  •   A justiça social que, no respeito pelos direitos humanos, promova e defenda o trabalho digno, a protecção social e o empoderamento como essenciais ao desenvolvimento das pessoas, das famílias, das economias e do mundo.
Continuamos à espera apela ao debate, acção e contributo de parlamentares, de governos, de profissionais, de líderes juvenis, de associações não-governamentais, de fundações, de escolas, de universidades, de opinion-makers, de jornalistas, de órgãos de comunicação social e da população em geral.

As várias formas de pobreza e exclusão social têm por base um défice em matéria de Saúde, Igualdade, Educação e Justiça Social - aspectos essenciais à realização dos Direitos Humanos. Alguns factos:

·         140 milhões de crianças e mulheres são sujeitas a uma forma de Mutilação Genital Feminina;

·         67 milhões de raparigas com menos de 18 anos são forçadas a casar;

·         1 em cada 9 raparigas casará antes dos 15 anos. 95% dos partos de mães adolescentes ocorrem em países em desenvolvimento;

·       Mais de 200 milhões de mulheres querem e não têm acesso a planeamento familiar e 1 em cada 5 raparigas será mãe antes de completar 18 anos.

·       Todos os dias, 800 mulheres morrem de causas evitáveis relacionadas com a gravidez e o parto; 99% dessas mortes ocorrem em países em desenvolvimento. Para as adolescentes e mulheres, em muitos países, esta é a principal causa de morte.

·       A manterem-se as tendências recentes, em 2015, cerca de mil milhões de pessoas viverão ainda com menos de 1,25 dólares/ 0,92 euros por dia.

·     A educação protege as raparigas do casamento precoce e da gravidez adolescente, no entanto apenas 30% das raparigas a nível mundial completam o ensino secundário.

Continuamos à espera é um movimento que se irá desenrolar ao longo do ano de 2014. Algumas iniciativas estão já a ser planeadas, mas aguardamos também as sugestões de pessoas e organizações que se queiram juntar a nós. Temos disponibilidade  para debater, propor, participar e apoiar iniciativas também da imprensa, das escolas, das universidades, dos municípios, das associações e fóruns, de grupos informais, de pessoas individuais, …


A informação, o empoderamento e os direitos das pessoas são fundamentais para garantir vidas melhores e um futuro sustentável


Este é parte do nosso  compromisso para com todas as pessoas que são sócias da P&D Factor, e também razão da nossa existência.  

Assim, é com grato prazer que informamos que a partir de dia 15 de Janeiro pode encontrar os postais da Campanha em todos os postos de distribuição da Postalfree, seguir-nos na página da Campanha em www.facebook.com/continuamosaespera,onde encontrará informação e o Spot da Campanha que conta com,  entre outros, a participação da sócia da P&D Factor e Embaixadora de Boa Vontade do UNFPA,  Catarina Furtado.

Junte-se a nós. Participe, mobilize-se, divulgue. Envie-nos a sua sugestão e contributo. A sua ajuda é fundamental.


Versão Completa do spot: http://www.youtube.com/watch?v=F4gFQdzk7E8



Associação sem fins lucrativos / Non-profit association
www.popdesenvolvimento.org | 
info@popdesenvolvimento.org NIPC / CFIN 510 457 754

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Dekh Le

Como é que o homem reagiria se o seu olhar perverso o reflectisse a si próprio?

"Em dezembro, uma adolescente indiana sofreu dois estupros coletivos em ataques separados e depois morreu queimada viva. O Whistling Woods International Institute, uma escola de artes localizada em Mumbai, coincidentemente, lançou no mesmo mês uma campanha para promover o debate sobre o comportamento masculino no país.
O Instituto criou o filme Dekh Le, que tem como objetivo celebrar o aniversário de outro estupro coletivo cometido no país. O vídeo já tem mais de 2 milhões de views em apenas duas semanas no ar.
O vídeo mostra a face do assédio sexual se voltando para o homem. O olhar do abuso é refletido por objetos localizados no corpo das mulheres, deixando os homens desconcertados".



domingo, 29 de setembro de 2013

Princípio 0

o princípio é: se não for para mim, então também não pode ser para ti. se é para mim, também deve ser para ti.

a verdadeira liberdade é a igualdade.

a única forma de pensarmos e agirmos humanamente entre nós, uns de e para os outros, é com a proximidade. a proximidade permite ver o outro mesmo em frente, à nossa frente. é diferente do ser humano algures num continente distante.

 

sábado, 28 de setembro de 2013

Alto al Femicidio

O género mata. Ser mulher ainda é critério para ser morta. Mas morrer só porque se nasceu mulher é uma ofensa à espécie humana, uma confirmação da sociedade selvagem (não existem sociedades sofisticadas, menos ainda entre as que se auto-proclamam como tal, a merda é toda igual) e a demonstração da inferioridade das sociedades onde estes crimes (de género) ocorrem com demasiada frequência. O femicidio, como qualquer violência de género, é cancro social.





terça-feira, 24 de setembro de 2013

"É difícil esquecer a primeira vez"

"é difícil esquecer a primeira vez", nova campanha da AMCV. contra a violência sobre as mulheres. porque já chega, porra!!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

gente boa.


Real Life Heroes [ Good people ]






quarta-feira, 15 de maio de 2013

Brevíssima - e nem por isso muito crítica - história sobre a prostituição


A prostituição é um mal da sociedade. Sempre foi. ... Será mesmo?

Em Da Prostituição na Cidade de Lisboa[1] (1984 [1941]), Francisco Cruz esclarece que a palavra “prostituta” é o particípio passivo de prostitutas do verbo prostituo, que significa:

 Prostrar, entregar, pôr publicamente de venda, mulher pública posta a ganho; é segundo as próprias expressões e linguagem da nossa antiga legislação no tempo do Sr. D. Manuel, uma mulher que com o corpo ganha dinheiro publicamente, não se negando aos que a ela quiserem ir fora da mancebia (Cruz, 1984: 49).

Neste curioso texto, o autor refere que “a prostituição toca nas primeiras idades dos povos do Globo. Pelos livros sagrados coligimos que existiam prostitutas no tempo de Moisés e que elas se entregavam a todo o género de deboche para satisfazerem as suas desordenadas e impudicas paixões ou com o fim dos lucros” (Idem: 53; Pessoa, 2006). E não esqueçamos que a Bíblia afirma que não deve haver “nem prostitutas, nem libertinos entre os filhos de Israel”[2] (Deuteronómico, 23: 17).

Todavia, a história da prostituição apresenta extraordinárias contradições (Scrambler, 1997; Ditmore, 2006; Pessoa, 2006). Por exemplo, na Antiguidade, na Mesopotâmia do II milénio a.C., a prostituta era representada binariamente como puta/sacerdotisa e puta/deusa. 

A Grande Deusa Innana, senhora do amor, da fertilidade e da guerra, a mais importante deusa do panteão sumério (que mais tarde se virá a chamar Ishtar) era ela própria identificada como “prostituta”(Qualls-Corbett, 1988; Harris, 1991; Busenbark, 1997; Meador, 2000; Ryang, 2006). 

Na atual Israel, prestava-se culto a Astarte, deusa do amor, da paixão, do sexo e da fertilidade. Em Makor, a 2202 a.C., os rituais religiosos de culto a Astarte envolviam a escolha de um homem para se deitar com a sacerdotisa da deusa, a personificação da própria deusa, no seu templo, durante sete dias e sete noites[3] (Qualls-Corbett, 1988: 12; Pessoa, 2006). Porém, tal como indica o Épico de Gilgamesh, estas “prostitutas” antigas estavam longe de sofrer o estigma sentido pelas suas homólogas contemporâneas (Qualls-Corbett, 1988: 37; Shankar, 1990: 30-32; Scrambler, 1997: xi).

Cruz afirma que, mais a oriente, também na Antiguidade, os japoneses prestavam um culto à Deusa da prostituição, em honra da qual estabeleceram várias festas públicas (Cruz, 1984: 54). Ryang esclarece que decorriam vários festivais dedicados ao panteão politeísta japonês, que envolviam o chamado “sexo sagrado” no interior dos santuários, ou em seu redor, quer as pessoas se conhecessem, quer não, em nome da fertilidade e da virilidade (Ryang, 2006: 11). 

Já na “Índia e no Egipto a religião e a política divinizaram os prazeres” (Cruz, 1984: 54). A prostituição religiosa encontrava-se, afirma, amplamente disseminada em locais tão distantes como a Ásia ocidental, o extremo-oriente, a América central, a África ocidental, na Síria, na Fenícia, na Arábia, no Egipto (Qualls-Corbett, 1988: 12; Shankar, 1990: 28; Ryang, 2006: 10; Pessoa, 2006: 17). 

Na Antiga Grécia, atribui-se o estabelecimento regular dos chamados “lugares de deboche” a Solon, “o primeiro que pelas leis favoreceu o tráfico que faziam dos seus encontros as voluptuosas atenienses” (Cruz, 1984: 55; Qualls-Corbett, 1988: 38; Ditmore, 2006: xxvi). A estas cortesãs atenienses não se permitia a entrada na cidade e nos templos. Antes, os espaços onde se tolerava a sua presença e ocupação eram “as avenidas do cerâmico e a Arcada do Longo Pórtico, [onde] se ofereciam às primeiras vistas dos que chegavam ao Pireu, ou aí se embarcavam” (Cruz, 1984: 57). As cortesãs eram, na sua maioria, escravas cujos senhores “traficavam os seus encontros: era então toda a sua arte empregada em seduzir algum rico que as comprasse e lhes desse liberdade” (Idem: 57).

O conceito de tráfico tem sido vinculado à prostituição, como de resto se nota na linguagem utilizada. Mais à frente na História, Goody afirma que, no século X, o Magrebe era principalmente notável pelo seu mercado de escravos negros e brancos, estes últimos originários do “bairro Andaluz”. Os preços mais altos seriam praticados sobre os escravos brancos e, muito particularmente, sobre as escravas brancas, “sexualmente atraentes” (Goody, 1980: 29). O sexo – ligado ou não à reprodução e aos mercados – sempre foi e é a força motriz da existência humana.

Na Roma antiga também se encontrava o “flagelo da prostituição”. Esta expressão é de Cruz (1984 [1941]), que salienta que “as leis de escravidão, e aquelas que então regulavam a união dos sexos, muito contribuíram para o incremento da prostituição, a ponto que o deboche público não chocava os costumes, antes deles fazia parte” (Idem: 60). As mulheres que “exerciam o seu infame comércio” encontravam-se nos bairros mais retirados da cidade, “próximo dos muros, ao pé do Circo, do estádio e dos Teatros” (Idem: 61). 
Contrariando o que acaba de ser dito, porém, Lopes (2006) e Roberts (1992) afirmam que, no Império Romano, as prostitutas orgulhavam-se de ser mais livres, mais cultas e mais belas entre as mulheres, à semelhança das “heteras”, “amantes” ou “prostitutas de elite” da Grécia antiga, o equivalente às acompanhantes de luxo de hoje (Coelho, 2009).

A história da prostituição revela que nalguns locais a actividade prostitutiva era constituinte da acção do sagrado e da religião, sendo uma prática de devoção e uma homenagem à divindade. 
Porém, com o passar dos tempos, destaca-se a obscuridade, a perda de valor e a visibilidade que a “mulher pública posta a ganho” passa a sofrer com a aproximação à contemporaneidade. 
Elas são afastadas dos templos e dos centros das cidades. Deixam de surgir interligadas com o divino ou o sagrado. Antes mesmo do Cristianismo se ter difundido, a visão da prostituta estigmatizada já estava alicerçada nas mentalidades dos atores sociais, muito por via dos sentimentos entretanto tornados populares de culpa. 

Não esqueçamos o dualismo entre “alma” perfeita e “corpo” impuro, existente já no pensamento grego, que é prolongado no pensamento cristão, no dualismo entre o “espírito” e a “carne” (Ferreira, 2006: 30; Synnott, 1993: 9). Com a difusão e instauração do cristianismo, nomeadamente a ocidente, os valores da virgindade e do controlo dos ímpetos carnais torna-se uma máxima. 

Germaine Greer é uma das autoras que sublinha a importância atribuída à castidade com o surgimento do cristianismo, sendo que os fiéis deverão seguir o exemplo divino de Cristo e de sua mãe. Afinal, o deus católico apraz-se com a abstinência sexual e a lealdade marital. No seu livro Sex and Destiny (1984), Greer aponta estes mesmos argumentos para destacar a importância atribuída à castidade que é, na verdade, uma forma social de controlo da sexualidade (feminina) e da natalidade (Greer, 1984: 80-81). Porque é o espaço onde vivem latentes as tentações carnais e o pecado, o corpo é um “lugar a controlar, a disciplinar, a conter” (Ferreira, 2006: 29). A inocência e a pureza moral são apresentadas como os mais altos valores da doutrina cristã. É por isso que ainda hoje as mulheres que trabalham na prostituição são consideradas “más mulheres”, que transgridem as normas de feminilidade e são, portanto, alienadas dos seus direitos.


Se nem sempre a prostituta foi percepcionada como má mulher, porque é que não será possível hoje vê-la simplesmente como uma pessoa, nem sagrada, nem profana?





[1] Na introdução deste livro, nas palavras de Joaquim Pais de Brito, este é “o primeiro estudo a sério sobre a prostituição em Portugal” (Cruz, 1984: 17-18).
[2] A citação é de Cruz, 1984. A transcrição exata do versículo mencionado é: “ Não haverá rameira de entre as filhas de Israel; nem haverá sodomita de entre os filhos de Israel”.
[3] Mais a oriente, no Japão, Ryang menciona a existência de festas sagradas dedicadas ao panteão, que também envolviam encontros sexuais que duravam sete dias e sete noites, como as cerimónias de kagai, okomori, zakone  (Ryang, 2006: 11-14).


Bibliografia:

Busenbark, Ernest, 1997, Symbols, Sex and the Stars, s.l., The Book Tree.
Coelho, Bernardo, 2009, Corpo Adentro, Lisboa: Difel.
Cruz, Francisco I. S., 1984 (1941), Da Prostituição na Cidade de Lisboa, Lisboa: Publicações Dom Quixote.
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Ferreira, Vítor S., 2006, Marcas de Demarcam: Corpo, Tatuagem e Body Piercing em Contextos Juvenis, Tese de Doutoramento, Lisboa: ISCTE.
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Harris, Rivkah, 1991, “Inanna-Ishtar as Paradox and a Coincidence of Opposites”, History of Religions, Volume 30, Nº 3, pp. 261-278.
Lopes, Ana, 2006, Trabalhadores do Sexo Uni-vos! Organização Laboral na Indústria do Sexo, Lisboa: Publicações Dom Quixote.
Meador, Betty D.S., 2000, Inanna, Lady of the Largest Heart. Poems of the Sumerian High Priestess Enheduanna, Austin: University of Texas Press.
Pessoa, Alfredo A., 2006 (1887), Os Bons Velhos Tempos da Prostituição em Portugal, Lisboa: Antígona.
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Synnott, Anthony, 1993, The Body Social. Symbolism, Self and Society, Londres e Nova Iorque: Routledge.



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Trance psicadélico no Algarve: um estudo sobre as práticas culturais de um movimento marginal

Este trabalho, realizado por Darryl Domingos, tem como principal objectivo analisar, sob o prisma dos estudos culturais, as particularidades e as práticas culturais de um movimento festivo local associado ao género de música trance psicadélico.

Na realização deste trabalho adoptou-se uma abordagem etnográfica, assente em saídas de campo e em entrevistas a indivíduos que participam neste tipo de festividades, permitindo uma maior aproximação ao fenómeno festivo e aos seus actores. Situando o objecto na sociedade das redes, onde se assiste a uma relação crescente de interdependência entre humanos e meios tecnológicos, pretendeu-se ainda compreender a influência que a globalização da cultura – principalmente através das tecnologias de informação e comunicação – tem na criação, na difusão e na apropriação da cultura em realidades locais.

A tese encontra-se disponível em: 

https://sapientia.ualg.pt/handle/10400.1/2075

domingo, 5 de maio de 2013

a cantilena dos 3 "p"


Os discursos humanistas não costumam sair duma cantilena de três “P”: prevenção, protecção e punição. Melhorar a legislação, apostar na educação, trabalhar no terreno e sensibilizar as pessoas. Demagogia por parte de quem defende um sistema económico que legitima a existência de exploradores e explorados, e cava o fosso entre os que têm tanto e os que nada têm – e por isso já nada têm a perder.

sábado, 4 de maio de 2013

A liberdade é um valor essencial para haver dignidade

Não podemos ser nós a decidir, com base em padrões morais totalitários. A liberdade é um valor essencial para haver dignidade. Esta é a diferença fundamental entre quem tem um projecto emancipatório e ouve, envolve e respeita as pessoas a quem as questões dizem directamente respeito, e as entidades que se posicionam com base em pressupostos gastos, desfasados da realidade e assentes numa visão conservadora e sacralizada das sexualidades.

Perante as vozes que afirmam que a actividade de prestadores/as de serviços sexuais é indigna, respondemos que indigno é continuar a condenar à marginalidade quem já é estigmatizado pela sociedade em geral. Espera-se que as associações de defesa dos direitos das mulheres, dos direitos de trabalhadores e trabalhadoras sejam realmente defensoras de todas as mulheres e de todas as trabalhadoras.



Indigno é negar o poder de decisão destas pessoas e considerá-las seres menores, vítimas que só são merecedoras de direitos como a reforma, direito a não verem os seus filhas/os retiradas/os pela Segurança Social ou direito à habitação, quando deixarem de exercer a actividade na área dos serviços sexuais.


Indigno é continuar a perigar a saúde pública condenando uma campanha que previne IST.
Indigno é continuar a reduzir trabalho sexual a prostituição, quando prostituição é apenas uma das actividades que envolve serviços sexuais.
Indigno é pactuar com qualquer forma de opressão.

Indigno é considerar indignas as pessoas que prestam serviços sexuais e votá-las, ainda mais,  ao isolamento e desprotecção.

A Directiva de Retorno está quase a fazer anos

A directiva de Retorno - ou da Vergonha - está quase a fazer o lindo aniversário de 5 anos.

Reza que o regresso voluntário dos imigrantes ilegais deve ser privilegiado.

Reza ainda que "estabelece um procedimento harmonizado em duas fases: uma decisão de regresso numa primeira fase e, se o imigrante ilegal em causa não regressar de forma voluntária, uma medida de afastamento numa segunda fase" (1).

A adopção formal daquela que é apelidada por largos sectores da sociedade civil como a “Directiva da Vergonha” em pleno Ano Europeu para o Diálogo Intercultural, e, em particular, nas vésperas das comemorações da Declaração Universal dos Direitos Humanos, é sintoma de um gritante divórcio entre os discursos oficiais e a realidade. 

Já em Portugal, o artigo 190 da lei da imigração (2) refere:

1 — É concedida autorização de residência ao cidadão estrangeiro que seja ou tenha sido vítima de infracções penais ligadas ao tráfico de pessoas ou ao auxílio à imigração ilegal, mesmo que tenha entrado ilegalmente no País ou não preencha as condições de concessão de autorização de residência.
2 — A autorização de residência a que se refere o número anterior é concedida após o termo do prazo
de reflexão previsto no artigo 111.o , desde que:
a) Seja necessário prorrogar a permanência do interessado em território nacional, tendo em conta o interesse que a sua presença representa para as investigações e procedimentos judiciais;
b) O interessado mostre vontade clara em colaborar com as autoridades na investigação e repressão do trá-
fico de pessoas ou do auxílio à imigração ilegal;
c) O interessado tenha rompido as relações que tinha com os presumíveis autores das infracções referidas no número anterior.


Durante o ano de 2011 foram instaurados 2.486 processos de expulsão administrativa, tendo sido proferidas 634 decisões de expulsão e 452 de arquivamento, totalizando 1.086 procedimentos concluídos.

Em 2011, segundo os dados do SEF, foram instaurados 38.811 processos de contra ordenação; 37,86% dos quais por permanência irregular em território nacional, 4,70% por falta de declaração de entrada e 1,79% pelo exercício de atividade profissional não autorizada (3).


(1) ver texto em: http://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=OJ:L:2008:348:0098:0107:ES:PDF
(2) ver lei da imigração portuguesa em: http://www.sef.pt/documentos/56/NOVA%20LEI%20ESTRANGEIROS.pdf
(3) ver Relatório Imigração, Fronteiras e Asilo: http://sefstat.sef.pt/Docs/Rifa_2011.pdf