sábado, 31 de maio de 2014

Campanha Reservado - Nova campanha de sensibilização para o tráfico de pessoas

RESERVADO - Em nome de uma vítima de tráfico de seres humanos é uma campanha promovida pela delegação de Lisboa, Tejo e Sado da APF - Associação para o Planeamento da Família, que pretende sensibilizar a população e apelar à sinalização de vítimas.

299 foram sinalizadas em 2013 e os seus agressores raramente são constituídos arguidos. Portugal é simultaneamente país de origem, trânsito e destino de Tráfico Humano e são as mulheres e as crianças que apresentam uma maior vulnerabilidade à situação.


https://www.youtube.com/watch?v=zpHJKDCd0ps

quarta-feira, 21 de maio de 2014

“Conchita Forever!” in Crónicas Figueira na Hora

Não vi o festival da Eurovisão. Estava a trabalhar. Mas como quase todos, acompanhei tanto quanto pude a participação da Conchita. As reacções das pessoas foram elas próprias bem divertidas: “O que é isto?!?”; “É mulher ou homem”?; “Só com provocação é que ganhou”. Mentira: a Conchita canta bem, tem uma óptima presença em palco, tem o corpo que muitas mulheres “biológicas” gostavam de ter. Não desvalorizo, todavia, a provocação. Pelo contrário, senti uma enorme admiração por tamanha coragem.

Chamam-lhe a mulher-barbuda, pensado que é um nome original. Não é. Aqui entre nós em Portugal tivemos a Barbuda, que era prostituta e mãe da mítica “primeira fadista”, a Severa. Ana Gertrudes Severa, a Barbuda, era uma célebre prostituta da Mouraria do século XIX, e Maria Severa terá ingressado muito cedo na mesma profissão, depressa se distinguindo nesse meio, não só - e muito em particular, como seria de esperar em semelhante contexto - pela beleza trigueira, como ainda pelos dotes invulgares de cantadeira de Fado (apenas uma curiosidade sobre a nossa história).

Agora, 2014, Thomas “Tom” Neuwirth, ou Conchita Wurst, é uma cantora austríaca. O que também não deixa de ser curioso. É de um país com fama de ser assim um bocado para o reaccionário  que brota esta estrela transgénero.
Simone de Beauviour já tinha escrito que “não se nasce mulher, faz-se mulher”, através da educação e do papel esperado a desempenhar. Não é, claro, a única autora a defender esta ideia. Mas leiam o Segundo Sexo, que justifica e aprende-se umas ideias. E o tipo de escrita é acessível a todos. Além de que, pessoalmente, é um livro brilhante.

Conchita veio demonstrar uma coisa que só agora começamos a aprender – e como novidade, é negada ainda pela maioria: podemos ser o género que formos, apesar do sexo com que nascemos. Biologia não é socialidade. Nascer mulher já não tem por destino final ser escrava do homem e parideira. Ser homem já não significa ser chefe de família e seu sustento. Ser trans não significa doença ou anomalia. As possibilidades são infinitas, tantas quantas a nossa imaginação, necessidade e desejo. Conchita veio demonstrar isso. Merece todo o respeito.
Parabéns Conchita! 

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quinta-feira, 8 de maio de 2014

234 jovens nigerianas raptadas alegadamente para venda a 12 dólares cada uma...assinem por favor...

Reports of 234 kidnapped Nigerian schoolgirls have made headlines worldwide, and now a new twist has emerged — the kidnapped girls are reportedly being sold into modern slavery for as little as $121.
But there is a solution.
Experts believe that if the Nigerian Government acts immediately and uses every resource at its disposal, it can locate the girls and return them to their families.
However for this to happen they need to know that the world is watching — and waiting. Help save the 234 schoolgirls from Forced Child Marriage — tell Nigerian President Jonathan to:
  1. Act immediately on intelligence received from credible local sources;
  2. Work with neighbouring countries Cameroon and Chad as well as other nations offering assistance to mount an effective search for the girls; and
  3. Improve the protection of schools in north-eastern Nigeria so children can receive an education without risk of kidnapping, forced marriage or other abuses.
Each day the schoolgirls are held captive, the risk of them falling victim to Forced Child Marriage increases. By sending a strong, united message to Nigeria’s President today, we can help ensure his Government spares no effort until the girls are rescued and back with their families.


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Flash Mob do 1º de Maio pelos Direitos d@s Trabalhad@res do Sexo in Figueira na Hora

A opinião com FILIPA ALVIM - Flash Mob do 1º de Maio pelos Direitos d@s Trabalhad@res do Sexo


Na madrugada de 30 de Abril para 1 de Maio decorreu o Flash Mob pelos Direitos d@s trabalhador@s do sexo[1]. Pelas 00:15 horas, um pequeno grupo no Porto, cheio de determinação, abriu os seus chapéus-de-chuva vermelhos – símbolo internacional da luta pelos direitos destas pessoas sem nome, geralmente apelidadas apenas de prostitutas ou putas (como se não houvessem nem homens nem transexuais neste mundo. E quantos há!).

A iniciativa partiu da Rede sobre o Trabalho Sexual[2], que congrega a maioria das ONGs de terreno, simpatizantes, académicos e trabalhador@s do sexo. No Porto correu bem. Em Lisboa foi um fiasco. Os poucos que foram sentiram-se sós e não houve flash mob, como estava combinado. O Porto, lá nisso, é muito mais activo. Claro que Portugal não conta com um STRASS[3], por exemplo, um sindicato de trabalhador@s do sexo sediado em Paris que junta manifestações de 100 ou mais pessoas. As prostitutas sentem demasiado estigma para darem a cara. Há sempre umas com mais coragem que lideram o movimento internacional, mas no panorama geral, o movimento d@s trabalhador@s do sexo é ainda tímido.

E afinal o que se pretende com este tipo de iniciativas? Demonstrar uma verdade empírica que magoa a susceptibilidade de muita gente: há quem faça do trabalho sexual o seu trabalho. Como tal, e porque se sentem trabalhador@s, querem os mesmo direitos e deveres que @s restantes trabalhador@s: enquadramento legal e laboral, inserção na segurança social, direito a uma reforma quando chega a idade, direito a uma vida com dignidade. Querem também contribuir para o país, que se desfaz com impostos cada vez mais pesados. Querem ajudar quem precisa, nomeadamente as vítimas de exploração sexual (@s tais traficad@s e explorad@s). Querem justiça, paz, pão, saúde, educação, habitação, segurança. Querem viver sem medo. Afinal, não é o que tod@s nós queremos? 



[3] Ver site em: www.strass-s

5 de Maio de 2014

Filipa Alvim

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quinta-feira, 1 de maio de 2014

Flash Mob do 1º de Maio pelos Direitos d@s Trabalhad@res do Sexo

O Flash Mob do 1º de Maio pelos Direitos d@s Trabalhad@res do Sexo no Porto foi notícia ao longo do dia em vários media nacionais (via Rede sobre o Trabalho Sexual):

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=734434&tm=8&layout=122&visual=61


Rede sobre o Trabalho Sexual em:


https://www.facebook.com/pages/Rede-sobre-Trabalho-Sexual/104752259637059?fref=ts





terça-feira, 11 de março de 2014

"Criminalizar a prostituição não protege a prostituta" in Figueira na Hora, 10.03.2014

Faço parte de um movimento, a Rede sobre o Trabalho Sexual (RTS) portuguesa que faz, por sua vez, parte de um movimento mundial pelos direitos das pessoas trabalhadoras do sexo.

É por isso que sei que o Parlamento Europeu deliberou na semana passada sobre a actividade prostitutiva. Foi aprovado no Parlamento Europeu (com 343 votos a favor, 139 contra e 105 abstenções) um relatório da Comissão para os Direitos das Mulheres e Igualdade dos Géneros que recomenda a criminalização dos clientes que recorram aos serviços prostitucionais de pessoas adultas menores de 21 anos. A recomendação não é vinculativa, sendo cada Estado-Membro livre de acatar, ou não, a recomendação.

Como membro da RTS, considero (depois de ouvir anos seguidos pessoas trabalhadoras do sexo [ou seja, @s própri@s], activistas, académicos e técnicos sociais) que a criminalização de clientes de trabalho sexual viola as recomendações da Organização Mundial de Saúde, elaboradas em colaboração com o UNFPA, a ONUSIDA (UNAIDS), e a Global Network of Sex Workers Projects (NSWP). O relatório que fundamentou esta proposta confunde, como sempre nestas instâncias, trabalho sexual (situação em que há consentimento informado), com abuso sexual e tráfico de pessoas. SÃO COISAS DIFERENTES, MINHA GENTE!

O relatório foi denunciado - entre cerca de 550 outras entidades - pela Rede Europeia da IPPF  (organização que trabalha em prol dos Direitos e Saúde Sexual e Reprodutiva, que a APF integra), pela La Strada International  (uma federação de organizações de apoio a vítimas de tráfico de seres humanos, área em que a APF também trabalha), pelo European AIDS Treatment Group, pelo ICRSE, pela Tampep International Foundation, e pela Rede sobre Trabalho Sexual. Mereceu ainda o repúdio de 86 académic@s, entre quais, evidentemente, eu me incluo.

Criminalizar o cliente pode afugenta-lo, mas não vai nem proteger prostitutas, nem eliminar a prostituição. Há vários crimes de que as prostitutas são vítimas, alguns praticados pelos clientes. Mas roubo, violação, exploração sexual e tráfico de pessoas estão já consagrados na lei. E ao contrário do que se pensa, há muitos clientes, chamados de habituais, que são mais que clientes, são amigos. Muitas vezes as denúncias de maus-tratos partem deste tipo de cliente. Por exemplo, conheço prostitutas que foram salvas de violação por parte de clientes. Criminalizar não é a solução. Regulamentar é que é a solução. 

10.03.2014
Filipa Alvim

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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

"A Osga: Chic por fora, Podre por dentro" Crónicas Figueira na Hora

Já imaginaram nascer no corpo errado? Não imagino pior pesadelo. Viver fora da normatividade é um pesadelo, alvo fácil de mentecaptas.

Desta vez é mesmo a Figueira da Foz que me serve de inspiração para a presente crónica. Vi na Figueira.TV um programa que (como é que eu hei-de dizer sem ser ofensiva?) me provocou vómitos agudos e instintos homicidas.
Trata-se da Figueira Chic: Convidada Ema Sofia (1). A Ema é uma transsexual de enorme coragem que dá a cara e aceita ser entrevistada no dito programa, explicando a sua experiência. Diz a Ema que acha que “o mundo não é feito de homens e de mulheres, mas sim de pessoas”. Subscrevo a 1000%.

Acontece que uma das três entrevistadoras é anti-humana, assim estilo Hugo Soares, personagem-tipo à la Gil Vicente, bonita por fora e podre por dentro, uma tal de Olga (para mim uma Jane Doe total até à data e não sou mais feliz depois de a ter ouvido). Decide – imagine-se! – atacar a entrevistada e até as restantes entrevistadoras com frases como: “Tenho uma visão muito pessoal sobre a opção” de ser homossexual; “A natureza humana é um homem e uma mulher”; “Todos os desvios dessa natureza são uma opção”; “A homossexualidade, a pedofilia são opções”; “A natureza é só uma: um macho nasce macho, uma fêmea nasce fêmea”; “Vou tentar ajudá-lo a encontrar o caminho certo” (a um imaginário filho homossexual, espero eu, que nem tod@s devem procriar); “A tua opção [de se tornar transsexual] foi Egoísmo.

É-lhe extraordinária a podridão reaccionária, a estupidez ofensiva, camuflada de esperteza e maquilhagem. Como é que dão tempo de antena a uma personagem da idade média? É por causa da carinha laroca?! Sinto-me profundamente ofendida com o nojo que lhe saiu da boca.

Termino com os meus sinceros parabéns à Ema e às outras duas entrevistadoras, verdadeiramente humanas, inteligentes e claramente pessoas do séc. XXI.


Link: 

https://www.facebook.com/notes/figueira-na-hora/a-opini%C3%A3o-com-filipa-alvim-a-osga-chic-por-fora-podre-por-dentro/402796049864790

e

http://outramargem-visor.blogspot.pt/2014/02/miseria-chic-ii.html







sábado, 22 de fevereiro de 2014

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

"Vender Direitos Humanos" Crónicas Figueira na Hora, 10.02.2014

Os Direitos Humanos são hoje uma pedra basilar da civilização. A cultura humana, com alguns milhares de anos, assim evoluiu.
São Universais? Não. Consta até, segundo fonte bestial (em entendido, de Besta mesmo), que direitos fundamentais são afinal referendáveis. A humanidade tem destas coisas: brilhantismo misturado com estupidez crónica. Eis a nossa história numa frase.
A discrepância entre territórios, cidades e aldeias, litoral e interior, sul e norte, é brutal. Não somos todos iguais. Estamos muito longe de o sermos.
Os Direitos Humanos fomentam-se e concretizam-se no terreno, no trabalho de campo, no contacto face to face, na conversação personalizada, na relação com o próximo. Objetivo: angariação de heróis e heroínas aqui, que ajudem o próximo, que muitas vezes está longe.

Com plena simpatia por esta ideia, e em situação de desemprego, a Maria (nome fictício) animou-se com um anúncio de emprego que pedia Relações Públicas (RP) para campanhas de solidariedade em nome de uma das maiores organizações mundiais e de trabalho reconhecido. A empresa subcontratada pela ONG internacional pedia dinamismo e vontade de ajudar o próximo, através do contacto com o próximo. A Maria lá foi à entrevista e “dia de experiência” toda entusiasmada.

Afinal, era trabalho porta-a-porta. O discurso começava com a apresentação do projeto: ajudar as crianças da Síria. São 5 milhões de crianças em risco de morte já. Uma causa que deve ser acarinhada. “Não se assuste, não é um peditório”. Mas afinal é. É que cada RP trabalha a 100% à comissão, com horário laboral das 10:30h-20:30h de 2ª-feira a 6ª-feira e das 10:30-18:30h aos sábados. Estes RPs são dinâmicos, vestem mesmo a camisola, não lhes retiro qualquer valor. Mas o país está em crise. Como é possível querer vender Direitos Humanos, puxando à lágrima de quem abre a porta para nos ouvir ao menos, quando se sabe que está desempregada e pouco resta para pôr comida na mesa? Ajudar, todos queremos. Mas a maioria não tem hipótese.

Vender Direitos Humanos a quem não pode comprar pão é contraproducente. “Empregar, a 100% à comissão” estes trabalhadores dos direitos humanos revela escravatura, a palavra-chave para compreender os nossos dias.

Filipa Alvim

Link:

https://www.facebook.com/notes/figueira-na-hora/a-opini%C3%A3o-com-filipa-alvim-vender-direitos-humanos/395202730624122

domingo, 9 de fevereiro de 2014

"Tráfico, Sexo e Imigração" Crónicas Figueira na Hora, 27.01.2014

"Tráfico, Sexo e Imigração" in Crónicas Figueira na Hora, 27.01.2014

Tráfico, Sexo e Imigração

Estive nos últimos quatro anos a estudar a questão do tráfico humano, trabalho sexual e imigração. É esse o tema que proponho para esta crónica. Perdoe-me o leitor a seriedade do assunto. O fenómeno do tráfico é um fenómeno transnacional, que tem que ver com as relações entre diferentes regiões económicas do mundo: as condições que possibilitam o TSH estão relacionadas com as disparidades económicas que caracterizam a geografia atual.

Até 2007, o conceito legal de tráfico de seres humanos em Portugal restringia-se ao tráfico de mulheres para exploração sexual. Com a revisão do Código Penal português, no final desse ano, o conceito alargou para, de acordo com o Protocolo de Palermo (2000) da ONU, integrar o tráfico de mulheres, homens e crianças, para fins de exploração sexual e laboral e tráfico de órgãos.

A ligação entre TSH e prostituição mantém-se no nosso imaginário, apesar do conceito ser muito mais que isso. As posições face a essa ligação diferem entre os que consideram que em nome do combate ao tráfico, o que na realidade se está a combater é a livre circulação de pessoas e a atividade voluntária na indústria do sexo, e os que consideram que todos os migrantes e todas as trabalhadoras do sexo (fundamentalmente estrangeiras) são vítimas do poder patriarcal, da globalização e da total ausência da capacidade de “agência” – por outras palavras, «não existem prostitutas felizes», pois o corpo não lhes pertence e está absolutamente sujeito à vontade do proxeneta e do desejo do cliente.

O problema do tráfico de seres humanos é quer uma causa quer uma consequência da violação de direitos humanos: é uma causa porque viola direitos fundamentais tais como o direito à vida, à dignidade e à segurança, às condições de trabalho condignas, à saúde. Mas é também uma consequência enraizada na pobreza, na desigualdade e na discriminação.
Tal como somos informados diariamente, o TSH é um dos maiores crimes transnacionais dos nossos tempos, com milhões de pessoas traficadas, e biliões de dólares de lucro.

Mas se as políticas dos Estados visam realmente enfrentar o problema do tráfico, então têm de ir além da criminalização. A injustiça é também produzida através de instituições, estruturas sociais, sistemas de poder e classificações morais. Só através da integração das populações vulneráveis no seio das quais se encontram as potenciais vítimas de tráfico (trabalhadores do sexo e imigrantes ilegais) é possível combater o TSH. A cidadania é a chave para um mundo melhor.

Filipa Alvim

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Campanha "Continuamos à espera...pelos Direitos Humanos, participa na construção da Agenda de Desenvolvimento Pós-2015".

A P&D Factor começa o ano de 2014 com a Campanha "Continuamos à espera...pelos Direitos Humanos, participa na construção da Agenda de Desenvolvimento Pós-2015"

Continuamos à Espera  resulta do trabalho da P&D Factor com  mais 3 organizações da sociedade civil portuguesa: CCC - Associação Corações com Coroa, AJPAS-Associação de Intervenção Comunitária, Desenvolvimento Social e Saúde e Oikos - Cooperação e Desenvolvimento.

Continuamos à Espera é uma campanha de Educação para o Desenvolvimento e para a Cidadania Global, centrada nas temáticas da Saúde Sexual e Reprodutiva, Justiça Social, Igualdade de Género e Oportunidades e baseada nos Direitos Humanos. Uma campanha que parte de uma chamada de atenção para as situações de prrfunda discriminação e desigualdade que continuam a existir em qualquer parte do mundo e face às quais não podemos ficar indiferentes nem a aguardar que o decurso dos tempos e a mudança de mentalidades resolvam os problemas.

Continuamos à Espera pretende INFORMAR, INSPIRAR, MOBILIZAR e AGIR em torno da Agenda de Desenvolvimento Pós-2015 com vista à promoção e defesa de um ambiente social e político favorável ao exercício dos direitos humanos em igualdade de todas as pessoas, sobretudo as mais invisíveis e que mais facilmente estão em situação evitável de vulnerabilidade, pobreza, doença e exclusão: as raparigas e as mulheres.

Continuamos à Espera parte da constatação do que foi ou não alcançado com os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio ( ODM, 2000) e das razões que o determinaram,  da agenda inacabada do Plano Acção do Cairo (CIPD, 1994) e do que está por cumprir na Plataforma de Acção de Beijing (1995) bem como dos acordos posteriores. Com o impulso que os ODM geraram, as agências das Nações Unidas desenvolvem, neste momento trabalho, e conversações em parceria com governos, sociedade civil, tendo em vista a criação e elaboração de uma nova Agenda de Desenvolvimento pós-2015.

Mas em 2014 há importantes balanços a fazer e decisões a tomar! 

·     Continuamos à espera de ver as pessoas no centro das políticas e agendas de desenvolvimento e assegurar que todas as pessoas, sobretudo as mulheres , jovens e as adolescentes, tenham acesso à informação, aos serviços e à protecção que de precisam para ter uma vida segura, saudável e gratificante.

Continuamos à Espera apela a um papel mais interveniente e activo na construção da Agenda de Desenvolvimento, que atenda aos Direitos Humanos e às desigualdades mais gritantes e que são esquecidas:
  •   A saúde sexual e reprodutiva (saúde materno-infantil, planeamento familiar, saúde de adolescentes, prevenção do VIH e Sida, parto e maternidade segura);
  •   A educação das raparigas (que promova o conhecimento, a manutenção no sistema de ensino e formação, que previna os casamentos precoces e forçados, a gravidez adolescente, a mutilação genital feminina, a violência e a discriminação);
  •   A igualdade de género e de oportunidades (que assegure a participação e reconhecimento dos contributos políticos, sociais e económicos das mulheres e jovens); e
  •   A justiça social que, no respeito pelos direitos humanos, promova e defenda o trabalho digno, a protecção social e o empoderamento como essenciais ao desenvolvimento das pessoas, das famílias, das economias e do mundo.
Continuamos à espera apela ao debate, acção e contributo de parlamentares, de governos, de profissionais, de líderes juvenis, de associações não-governamentais, de fundações, de escolas, de universidades, de opinion-makers, de jornalistas, de órgãos de comunicação social e da população em geral.

As várias formas de pobreza e exclusão social têm por base um défice em matéria de Saúde, Igualdade, Educação e Justiça Social - aspectos essenciais à realização dos Direitos Humanos. Alguns factos:

·         140 milhões de crianças e mulheres são sujeitas a uma forma de Mutilação Genital Feminina;

·         67 milhões de raparigas com menos de 18 anos são forçadas a casar;

·         1 em cada 9 raparigas casará antes dos 15 anos95% dos partos de mães adolescentes ocorrem em países em desenvolvimento;

·       Mais de 200 milhões de mulheres querem e não têm acesso a planeamento familiar e 1 em cada 5 raparigas será mãe antes de completar 18 anos.

·       Todos os dias, 800 mulheres morrem de causas evitáveis relacionadas com a gravidez e o parto; 99% dessas mortes ocorrem em países em desenvolvimento. Para as adolescentes e mulheres, em muitos países, esta é a principal causa de morte.

·       A manterem-se as tendências recentes, em 2015, cerca de mil milhões de pessoas viverão ainda com menos de 1,25 dólares/ 0,92 euros por dia.

·     A educação protege as raparigas do casamento precoce e da gravidez adolescente, no entanto apenas 30% das raparigas a nível mundial completam o ensino secundário.

Continuamos à espera é um movimento que se irá desenrolar ao longo do ano de 2014. Algumas iniciativas estão já a ser planeadas, mas aguardamos também as sugestões de pessoas e organizações que se queiram juntar a nós. Temos disponibilidade  para debater, propor, participar e apoiar iniciativas também da imprensa, das escolas, das universidades, dos municípios, das associações e fóruns, de grupos informais, de pessoas individuais, …


A informação, o empoderamento e os direitos das pessoas são fundamentais para garantir vidas melhores e um futuro sustentável


Este é parte do nosso  compromisso para com todas as pessoas que são sócias da P&D Factor, e também razão da nossa existência.  

Assim, é com grato prazer que informamos que a partir de dia 15 de Janeiro pode encontrar os postais da Campanha em todos os postos de distribuição da Postalfree, seguir-nos na página da Campanha em www.facebook.com/continuamosaespera,onde encontrará informação e o Spot da Campanha que conta com,  entre outros, a participação da sócia da P&D Factor e Embaixadora de Boa Vontade do UNFPA,  Catarina Furtado.

Junte-se a nós. Participe, mobilize-se, divulgue. Envie-nos a sua sugestão e contributo. A sua ajuda é fundamental.


Versão Completa do spot: http://www.youtube.com/watch?v=F4gFQdzk7E8



Associação sem fins lucrativos / Non-profit association
www.popdesenvolvimento.org | 
info@popdesenvolvimento.org NIPC / CFIN 510 457 754

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Dekh Le

Como é que o homem reagiria se o seu olhar perverso o reflectisse a si próprio?

"Em dezembro, uma adolescente indiana sofreu dois estupros coletivos em ataques separados e depois morreu queimada viva. O Whistling Woods International Institute, uma escola de artes localizada em Mumbai, coincidentemente, lançou no mesmo mês uma campanha para promover o debate sobre o comportamento masculino no país.
O Instituto criou o filme Dekh Le, que tem como objetivo celebrar o aniversário de outro estupro coletivo cometido no país. O vídeo já tem mais de 2 milhões de views em apenas duas semanas no ar.
O vídeo mostra a face do assédio sexual se voltando para o homem. O olhar do abuso é refletido por objetos localizados no corpo das mulheres, deixando os homens desconcertados".



domingo, 29 de setembro de 2013

Princípio 0

o princípio é: se não for para mim, então também não pode ser para ti. se é para mim, também deve ser para ti.

a verdadeira liberdade é a igualdade.

a única forma de pensarmos e agirmos humanamente entre nós, uns de e para os outros, é com a proximidade. a proximidade permite ver o outro mesmo em frente, à nossa frente. é diferente do ser humano algures num continente distante.

 

sábado, 28 de setembro de 2013

Alto al Femicidio

O género mata. Ser mulher ainda é critério para ser morta. Mas morrer só porque se nasceu mulher é uma ofensa à espécie humana, uma confirmação da sociedade selvagem (não existem sociedades sofisticadas, menos ainda entre as que se auto-proclamam como tal, a merda é toda igual) e a demonstração da inferioridade das sociedades onde estes crimes (de género) ocorrem com demasiada frequência. O femicidio, como qualquer violência de género, é cancro social.





terça-feira, 24 de setembro de 2013

"É difícil esquecer a primeira vez"

"é difícil esquecer a primeira vez", nova campanha da AMCV. contra a violência sobre as mulheres. porque já chega, porra!!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

gente boa.


Real Life Heroes [ Good people ]






quarta-feira, 15 de maio de 2013

Brevíssima - e nem por isso muito crítica - história sobre a prostituição


A prostituição é um mal da sociedade. Sempre foi. ... Será mesmo?

Em Da Prostituição na Cidade de Lisboa[1] (1984 [1941]), Francisco Cruz esclarece que a palavra “prostituta” é o particípio passivo de prostitutas do verbo prostituo, que significa:

 Prostrar, entregar, pôr publicamente de venda, mulher pública posta a ganho; é segundo as próprias expressões e linguagem da nossa antiga legislação no tempo do Sr. D. Manuel, uma mulher que com o corpo ganha dinheiro publicamente, não se negando aos que a ela quiserem ir fora da mancebia (Cruz, 1984: 49).

Neste curioso texto, o autor refere que “a prostituição toca nas primeiras idades dos povos do Globo. Pelos livros sagrados coligimos que existiam prostitutas no tempo de Moisés e que elas se entregavam a todo o género de deboche para satisfazerem as suas desordenadas e impudicas paixões ou com o fim dos lucros” (Idem: 53; Pessoa, 2006). E não esqueçamos que a Bíblia afirma que não deve haver “nem prostitutas, nem libertinos entre os filhos de Israel”[2] (Deuteronómico, 23: 17).

Todavia, a história da prostituição apresenta extraordinárias contradições (Scrambler, 1997; Ditmore, 2006; Pessoa, 2006). Por exemplo, na Antiguidade, na Mesopotâmia do II milénio a.C., a prostituta era representada binariamente como puta/sacerdotisa e puta/deusa. 

A Grande Deusa Innana, senhora do amor, da fertilidade e da guerra, a mais importante deusa do panteão sumério (que mais tarde se virá a chamar Ishtar) era ela própria identificada como “prostituta”(Qualls-Corbett, 1988; Harris, 1991; Busenbark, 1997; Meador, 2000; Ryang, 2006). 

Na atual Israel, prestava-se culto a Astarte, deusa do amor, da paixão, do sexo e da fertilidade. Em Makor, a 2202 a.C., os rituais religiosos de culto a Astarte envolviam a escolha de um homem para se deitar com a sacerdotisa da deusa, a personificação da própria deusa, no seu templo, durante sete dias e sete noites[3] (Qualls-Corbett, 1988: 12; Pessoa, 2006). Porém, tal como indica o Épico de Gilgamesh, estas “prostitutas” antigas estavam longe de sofrer o estigma sentido pelas suas homólogas contemporâneas (Qualls-Corbett, 1988: 37; Shankar, 1990: 30-32; Scrambler, 1997: xi).

Cruz afirma que, mais a oriente, também na Antiguidade, os japoneses prestavam um culto à Deusa da prostituição, em honra da qual estabeleceram várias festas públicas (Cruz, 1984: 54). Ryang esclarece que decorriam vários festivais dedicados ao panteão politeísta japonês, que envolviam o chamado “sexo sagrado” no interior dos santuários, ou em seu redor, quer as pessoas se conhecessem, quer não, em nome da fertilidade e da virilidade (Ryang, 2006: 11). 

Já na “Índia e no Egipto a religião e a política divinizaram os prazeres” (Cruz, 1984: 54). A prostituição religiosa encontrava-se, afirma, amplamente disseminada em locais tão distantes como a Ásia ocidental, o extremo-oriente, a América central, a África ocidental, na Síria, na Fenícia, na Arábia, no Egipto (Qualls-Corbett, 1988: 12; Shankar, 1990: 28; Ryang, 2006: 10; Pessoa, 2006: 17). 

Na Antiga Grécia, atribui-se o estabelecimento regular dos chamados “lugares de deboche” a Solon, “o primeiro que pelas leis favoreceu o tráfico que faziam dos seus encontros as voluptuosas atenienses” (Cruz, 1984: 55; Qualls-Corbett, 1988: 38; Ditmore, 2006: xxvi). A estas cortesãs atenienses não se permitia a entrada na cidade e nos templos. Antes, os espaços onde se tolerava a sua presença e ocupação eram “as avenidas do cerâmico e a Arcada do Longo Pórtico, [onde] se ofereciam às primeiras vistas dos que chegavam ao Pireu, ou aí se embarcavam” (Cruz, 1984: 57). As cortesãs eram, na sua maioria, escravas cujos senhores “traficavam os seus encontros: era então toda a sua arte empregada em seduzir algum rico que as comprasse e lhes desse liberdade” (Idem: 57).

O conceito de tráfico tem sido vinculado à prostituição, como de resto se nota na linguagem utilizada. Mais à frente na História, Goody afirma que, no século X, o Magrebe era principalmente notável pelo seu mercado de escravos negros e brancos, estes últimos originários do “bairro Andaluz”. Os preços mais altos seriam praticados sobre os escravos brancos e, muito particularmente, sobre as escravas brancas, “sexualmente atraentes” (Goody, 1980: 29). O sexo – ligado ou não à reprodução e aos mercados – sempre foi e é a força motriz da existência humana.

Na Roma antiga também se encontrava o “flagelo da prostituição”. Esta expressão é de Cruz (1984 [1941]), que salienta que “as leis de escravidão, e aquelas que então regulavam a união dos sexos, muito contribuíram para o incremento da prostituição, a ponto que o deboche público não chocava os costumes, antes deles fazia parte” (Idem: 60). As mulheres que “exerciam o seu infame comércio” encontravam-se nos bairros mais retirados da cidade, “próximo dos muros, ao pé do Circo, do estádio e dos Teatros” (Idem: 61). 
Contrariando o que acaba de ser dito, porém, Lopes (2006) e Roberts (1992) afirmam que, no Império Romano, as prostitutas orgulhavam-se de ser mais livres, mais cultas e mais belas entre as mulheres, à semelhança das “heteras”, “amantes” ou “prostitutas de elite” da Grécia antiga, o equivalente às acompanhantes de luxo de hoje (Coelho, 2009).

A história da prostituição revela que nalguns locais a actividade prostitutiva era constituinte da acção do sagrado e da religião, sendo uma prática de devoção e uma homenagem à divindade. 
Porém, com o passar dos tempos, destaca-se a obscuridade, a perda de valor e a visibilidade que a “mulher pública posta a ganho” passa a sofrer com a aproximação à contemporaneidade. 
Elas são afastadas dos templos e dos centros das cidades. Deixam de surgir interligadas com o divino ou o sagrado. Antes mesmo do Cristianismo se ter difundido, a visão da prostituta estigmatizada já estava alicerçada nas mentalidades dos atores sociais, muito por via dos sentimentos entretanto tornados populares de culpa. 

Não esqueçamos o dualismo entre “alma” perfeita e “corpo” impuro, existente já no pensamento grego, que é prolongado no pensamento cristão, no dualismo entre o “espírito” e a “carne” (Ferreira, 2006: 30; Synnott, 1993: 9). Com a difusão e instauração do cristianismo, nomeadamente a ocidente, os valores da virgindade e do controlo dos ímpetos carnais torna-se uma máxima. 

Germaine Greer é uma das autoras que sublinha a importância atribuída à castidade com o surgimento do cristianismo, sendo que os fiéis deverão seguir o exemplo divino de Cristo e de sua mãe. Afinal, o deus católico apraz-se com a abstinência sexual e a lealdade marital. No seu livro Sex and Destiny (1984), Greer aponta estes mesmos argumentos para destacar a importância atribuída à castidade que é, na verdade, uma forma social de controlo da sexualidade (feminina) e da natalidade (Greer, 1984: 80-81). Porque é o espaço onde vivem latentes as tentações carnais e o pecado, o corpo é um “lugar a controlar, a disciplinar, a conter” (Ferreira, 2006: 29). A inocência e a pureza moral são apresentadas como os mais altos valores da doutrina cristã. É por isso que ainda hoje as mulheres que trabalham na prostituição são consideradas “más mulheres”, que transgridem as normas de feminilidade e são, portanto, alienadas dos seus direitos.


Se nem sempre a prostituta foi percepcionada como má mulher, porque é que não será possível hoje vê-la simplesmente como uma pessoa, nem sagrada, nem profana?





[1] Na introdução deste livro, nas palavras de Joaquim Pais de Brito, este é “o primeiro estudo a sério sobre a prostituição em Portugal” (Cruz, 1984: 17-18).
[2] A citação é de Cruz, 1984. A transcrição exata do versículo mencionado é: “ Não haverá rameira de entre as filhas de Israel; nem haverá sodomita de entre os filhos de Israel”.
[3] Mais a oriente, no Japão, Ryang menciona a existência de festas sagradas dedicadas ao panteão, que também envolviam encontros sexuais que duravam sete dias e sete noites, como as cerimónias de kagai, okomori, zakone  (Ryang, 2006: 11-14).


Bibliografia:

Busenbark, Ernest, 1997, Symbols, Sex and the Stars, s.l., The Book Tree.
Coelho, Bernardo, 2009, Corpo Adentro, Lisboa: Difel.
Cruz, Francisco I. S., 1984 (1941), Da Prostituição na Cidade de Lisboa, Lisboa: Publicações Dom Quixote.
Ditmore, Melissa H. (ed.), 2006, Encyclopedia of Prostitution and Sex Work, Volumes 1 & 2, Wesport e Londres: Greewood Press.
Ferreira, Vítor S., 2006, Marcas de Demarcam: Corpo, Tatuagem e Body Piercing em Contextos Juvenis, Tese de Doutoramento, Lisboa: ISCTE.
Goody, Jack, 1980, “Slavery in Time and Space” in Watson, James L. (ed.), 1980, Asian and African Systems of Slavery, Berkeley: Basil Blackwell, pp.16-42.
Greer, Germaine, 1984, Sex and Destiny: The Politics of Human Fertility, Londres: Martin Secker & Warburg Limited.
Harris, Rivkah, 1991, “Inanna-Ishtar as Paradox and a Coincidence of Opposites”, History of Religions, Volume 30, Nº 3, pp. 261-278.
Lopes, Ana, 2006, Trabalhadores do Sexo Uni-vos! Organização Laboral na Indústria do Sexo, Lisboa: Publicações Dom Quixote.
Meador, Betty D.S., 2000, Inanna, Lady of the Largest Heart. Poems of the Sumerian High Priestess Enheduanna, Austin: University of Texas Press.
Pessoa, Alfredo A., 2006 (1887), Os Bons Velhos Tempos da Prostituição em Portugal, Lisboa: Antígona.
Qualls-Corbett, Nancy, 1988, The Sacred Prostitute: Eternal Aspect of the Feminine, Toronto: Toronto University Press.
Roberts, Nickie, 1992, Whores in History. Prostitution in Western Society, Londres: Harper Collins.
Ryang, Sonia, 2006, Love in Modern Japan: Its estrangement from self, sex and society, Oxon: Routledge.
Scrambler, Graham e Scrambler, Annette, 1997, Rethinking Prostitution: Purchaising sex in the 1990s, Nova Iorque: Routledge. 
Shankar, Jogan, 1990, Devadasi cult - A sociological analysis, Nova Deli: Ashish Publishing House.
Synnott, Anthony, 1993, The Body Social. Symbolism, Self and Society, Londres e Nova Iorque: Routledge.



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Trance psicadélico no Algarve: um estudo sobre as práticas culturais de um movimento marginal

Este trabalho, realizado por Darryl Domingos, tem como principal objectivo analisar, sob o prisma dos estudos culturais, as particularidades e as práticas culturais de um movimento festivo local associado ao género de música trance psicadélico.

Na realização deste trabalho adoptou-se uma abordagem etnográfica, assente em saídas de campo e em entrevistas a indivíduos que participam neste tipo de festividades, permitindo uma maior aproximação ao fenómeno festivo e aos seus actores. Situando o objecto na sociedade das redes, onde se assiste a uma relação crescente de interdependência entre humanos e meios tecnológicos, pretendeu-se ainda compreender a influência que a globalização da cultura – principalmente através das tecnologias de informação e comunicação – tem na criação, na difusão e na apropriação da cultura em realidades locais.

A tese encontra-se disponível em: 

https://sapientia.ualg.pt/handle/10400.1/2075